sábado, 21 de fevereiro de 2009

Ontem te procurei.



Te chamei por todos os nomes. Te procurei em cada sílaba, crente de um poder de fala que chegasse a ti. Não obtive resposta. Toquei as sílabas que proferia com mãos suaves para não te espantar, iludida ainda em te achar. Fechei as mãos a agarrar as réstias de fonemas proferidos na tua raiva de lágrimas. Eu não te sabia ouvir. Queria atropelar as palavras tuas, apoderar-me delas como se fossem minhas. O meu sentir não era bonito como o teu. As minhas palavras não tinham a forma que as tuas tinham. Os acordes que deixaste rasgados no meu corpo pedem agora a clemência de um tempo que os esqueceu. Os lábios mudos dizem em silêncio o que a alma espelhada de ti não consegue esconder.

Dias, noites, textos, poemas. Uma morfologia completa de uma analfabeta de amor. Não soubeste ensinar que cada palavra tem um dom, que cada dom só pode ser usado quando é especial e nunca usado como lança. A saliva que vive na tua boca já não me fala. Já não ouço o teu corpo a pedir por mim. Nem por palavras.. Eu era o teu texto e deixava pontuares-me de ti. Acabamos e recomeçamos. Destruímos. Anulamos.

Corremos na boca um do outro a negar o sabor a sal que nos escorre na cara.
Eu era o começo que nunca se soube apresentar. Não tinha nome, nem nada, nem dor, nem mágoa. Nunca pediste um título.. Eu nunca pedi um fim. Nunca me pediste para ser o teu começo. Eu fui. Soubeste ser fim. Mas desta vez eu não falei.. Eu não pedi. Eu não consigo ler as tuas palavras como tu as escreves, não consigo adivinhar o que não me dizes.. E choro nas margens da despedida para que me empurraste, nos teus silêncios e nas tuas metáforas.

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