Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar
Que a saudade é o pior tormento
É pior que o esquecimento
É pior do que se entrevar
Oh, pedaço de mim
Oh, metade exilada de mim
Leva os teus sinais
Que a saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco
E evita atracar no cais
Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu
Oh, metade arrancada de mim
leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu
Oh, pedaço de mim
Oh, metade amputada de mim
Leva o que há de ti
Que a saudade dói latejada
É assim como uma fisgada
Oh, metade amputada de mim
Leva o que há de ti
Que a saudade dói latejada
É assim como uma fisgada
No membro que perdi
Oh, pedaço de mim
Oh, metade adorada de mim
Lava os olhos meus
Que a saudade é o pior castigo
E eu não quero levar comigo
A mortalha do amor
Adeus
Chico Buarque
Oh, metade adorada de mim
Lava os olhos meus
Que a saudade é o pior castigo
E eu não quero levar comigo
A mortalha do amor
Adeus
Chico Buarque
A despedida traz uma dor indescritível que não consigo direcionar para nenhum lugar que não seja o coração. De fato, nunca me sobra um pedaço de chão para que eu coloque os pés devidamente firmes. Eu não olhei para trás porque doía. Eu não abracei porque desvencilhar os braços seria grande tarefa para um coração já tão atormentado pela saudade. E corri porque vê-los sorrir foi o último golpe que eu poderia sustentar - arrebatador. E só me apetecia dizer de todas as formas (im)possíveis o quanto eu amo e ponto final. Hoje nenhuma frase da Clarice representaria o vazio que sinto: a saudade irremediável, a solidão deprimente, o cansaço de possuir todos os sentimentos do mundo. Eu só queria ficar. E eu bem sei que nessa atual conjuntura é pedir demais.

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