
Gosto de olhos conversadores. Olhos que falam, olhos que riem, olhos que choram. Olhos de várias cores, tamanhos e formas. Olhos que acordam de manhã ensonados, olhos que brilham ao pôr do sol, olhos que seduzem e encantam pela calada da noite. Olhos cúmplices, olhos penetrantes, olhos infinitos, olhos solitários que buscam outros olhos. Olhos que se cruzam e descruzam. Olhos que permanecem os mesmos. Olhos sinceros. Se os olhos são o espelho da alma, sou uma voyeur de almas. Gosto de observar como as almas se movem, como se agitam dentro dos corpos que carregam. Como se vestem e se despem das vidas passadas e futuras. Como se alastram por todos os cantos, matam e ressuscitam vontades insaciáveis. Como rastreiam o não vivido. Como consomem com voracidade alucinante e como degustam o querer para comer o prazer. São olhos que viajam, com algemas e correntes para aprisionar os seus deleites. São olhos lascivos, olhos de perdição. Quantos fitarei até encontrar os teus?

2 Pauzinhos de canela. on "Wild eyes"
Você tem ótimos textos por aqui.
É um ótimo texto, definitivamente.
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