sábado, 14 de março de 2009



Que podemos sonhar quando temos consciência de que o nosso sonho se evaporou? Quando já não esperamos mais nada, somos somente as histórias que arrastamos dia a dia, tudo aquilo que não compreendemos. Regra básica, nunca pronunciar a palavra amor diante de um homem, sobretudo numa língua estrangeira porque julgamos que soa melhor dito assim. Sempre pensei que o que ia acontecer a cada minuto que passava traria consigo todas as respostas só pelo simples fato de existir. Mas não, fui traída pelas palavras não ditas. Fiquei às escuras uns bons segundos, apenas três janelinhas de madeira deixavam entrar um pouco de luz naquele quarto de hotel. As casas depois do crepúsculo têm outro aspecto. Tornam-se estáticas, paralisadas, carcomidas pela inércia. Os viajantes diários dos subúrbios que passam a correr pelas suas vidas, começavam a desaparecer-me do campo de visão. Os meus sentidos estavam embotados. Abatida pelo calor, estiquei-me na cama, fechei os olhos por breves instantes, ali fiquei a pensar naquele barzinho de bairro, onde estivera há instantes a beber um licor adocicado e delicioso e que me provocara uma sonolência abrupta. Vieram-me à memória aquelas personagens que entraram e sairam vezes sem conta, mas somente duas fixaram a minha atenção. Ao balcão estava uma mulher sozinha, bebia whisky despreocupadamente. Tinha a pele muito branca e o cabelo muito preto, que contrastava com uma espessa camada de rímel e os lábios muito vermelhos, deixava entrever o decote e a renda branca do corpete que trazia debaixo do casaco. Há mulheres com e sem sedução e ela tinha-a. De olhos melancólicos, talvez, ou tristes, semicerrados, havia um homem impecavelmente vestido de preto, esboçava umas feições atrevidas e o seu sorriso sedutor alastrava-se até a mulher. Não falaram, apenas trocaram olhares e goles de bebida em uníssono. Acabamos por acreditar que são os atalhos do destino ou os caminhos retorcidos do nosso esforço em querermos ser felizes. Pensamos em viagens, crimes e aventuras e afinal os homens não gostam da palavra sempre, faz-lhes medo. Os homens têm todos medos estranhos.

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